Dia Mundial do Livro: 7 obras que enaltecem o Brasil Central - Elysium Sociedade Cultural

Elysium Sociedade Cultural mantém uma linha editorial própria dedicada à cultura brasileira

Entre páginas e histórias que atravessam gerações, o Dia Mundial do Livro e do Direito de Autor, celebrado em 23 de abril, convida para uma viagem pelo mundo por meio de obras literárias. Instituída pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), a data reverencia a força da escrita e homenageia autores como William Shakespeare, Miguel de Cervantes e Inca Garcilaso de la Vega, todos mortos em 23 de abril de 1616, uma coincidência histórica que transformou o dia em símbolo universal da literatura e de sua permanência no tempo.

A data é um convite para que leitores mergulhem em narrativas que ajudam a compreender identidades, territórios e culturas. Nesse sentido, a literatura que aborda o Brasil Central, com suas paisagens, personagens e processos históricos, ganha relevância ao revelar um país que muitas vezes permanece à margem do eixo cultural dominante.

A produção editorial voltada a esse recorte tem crescido nos últimos anos, como é o caso da Elysium Sociedade Cultural, que desde 2012 mantém uma linha editorial própria dedicada à cultura brasileira. Com mais de 150 títulos publicados, o catálogo reúne obras de ficção e não ficção que transitam por áreas como artes, arquitetura, restauração, crítica e materiais didáticos.

Para o escritor e professor Wolney Unes, diretor da instituição, a publicação de um livro envolve um processo cuidadoso e colaborativo. “O processo começa com o envio do texto pelo autor para nossa avaliação. A partir daí, inicia-se um trabalho que leva cerca de seis meses. O material passa por revisão, já que é sempre importante ter um olhar externo, e depois segue para o projeto gráfico. Verificamos tamanhos, dimensões e discutimos tudo com o autor. É todo um processo de negociação até que a obra seja, de fato, publicada”, detalha.

A seguir, uma seleção de livros que evidenciam o Brasil Central em suas múltiplas dimensões, indo da música à arquitetura, da memória afetiva às expressões artísticas. A lista reúne títulos que ajudam a compreender a formação cultural da região, destacando personagens, paisagens e linguagens que compõem esse mosaico brasileiro.

1. Caderno de Tonico do Padre — Notas, registros, experimentos
Ano da publicação: 2018
Editora: Elysium

Sinopse: Observador atento de tudo à sua volta, Tonico do Padre preocupou-se em registrar tudo o que via. Em seu caderno, comprado no Rio de Janeiro (conforme recibo cuidadosamente guardado pelo artista), Tonico ia registrando suas impressões – um desenho, uma laudação ao Divino, uma cena da paisagem apreciada, um texto lido, uma fotografia vista. À maneira de Da Vinci, Tonico passa com seu novo caderno a anotar muito do que planejava, como Mário de Andrade, desenhava muito do que observava. Testemunho de seus interesses e curiosidades, o caderno de Tonico é um mergulho na indústria e inventividade desse marceneiro, pintor, músico, desenhista, entre outras habilidades.

2. Dicionário do Brasil Central
Ano da publicação: 2009
Edição: Instituto Centro-Brasileiro de Cultura e Equipe Elysium

Sinopse: O leitor tem em mãos um compêndio que apresenta o amplo espaço geográfico do Brasil Central, última fronteira de colonização do Novo Mundo, que — ironicamente, como que num contrassenso — guarda ainda um vasto acervo de vocabulário e modos de dizer do português medieval.

3. Casa de Altamiro de Moura Pacheco
Ano da publicação: 2021
Edição: Editora UFG e Equipe Elysium

Sinopse: Descrição elaborada por ocasião da restauração da casa de Altamiro de Moura Pacheco, uma das primeiras edificações na cidade de Goiânia, incorporando grandes inovações construtivas na região. Da leitura do texto obtém-se um panorama da nascente indústria de materiais para construção no Brasil.

4. Antologia do Piano no Brasil Central
Ano da publicação: 2016
Editora: Elysium

Sinopse: Esta antologia reúne 24 peças compostas para piano solo por doze compositores ativos no Brasil Central no decorrer dos séculos XIX e XX. A maior parte do repertório selecionado é inédita e desconhecida até então, e são todas peças originalmente escritas para piano solo. Fruto de mais de uma década de levantamento, esta edição oferece um amplo panorama do desenvolvimento do instrumento na região e oferece a oportunidade de conhecer a produção local de música para piano.

5. Guapé
Ano da publicação: 2015
Editora: Elysium

Sinopse: Nascidos ambos das costelas paulistas, Minas Gerais e Goiás são duas irmãs que compartilham muitos atributos. Mediterrâneos, raras exceções num Brasil eminentemente litorâneo, talvez por isso mesmo os dois Estados tenham tanto se voltado para si próprios, para seu interior, para sua própria cultura. Por conta disso, não seria demais especular que ali, no interior dos sertões do Brasil Central, se situe este que é dos grandes núcleos de formação da brasilidade. E é justamente isso que nos conta este Guapé, ao apresentar personagens em situações características, ao descrever suas paisagens pitorescas e ao discorrer sobre a construção cultural do Centro brasileiro. Nesta coletânea de breves relatos, o autor traça um longo arco que parte de sua cidade natal, passa pelo Triângulo Mineiro, sempre para o oeste pelo interior goiano, até sua fixação definitiva em Goiânia. É a partir dessa trajetória pessoal que Walquires Tibúrcio se posiciona como observador privilegiado. Observador perspicaz, a partir de seus relatos, Walquires faz emergir em seus leitores como que uma familiaridade com os tipos e situações que apresenta.

6. Goiandira: arte e areia
Ano da publicação: 2007
Edição: Instituto Centro-Brasileiro de Cultura e Equipe Elysium

Sinopse: Goiandira alinha sobre uma grande mesa pequenos potinhos com suas centenas de pigmentos, com seu olhar treinado e afiado, espectrômetro humano. Inicialmente hesita ante sua descoberta: sabe-lhe o valor, mas demora a vislumbrar o uso. Até que subitamente descobre o que fazer com seus potinhos de areias coloridas e passa a nos apresentá-los: 515 pigmentos ao todo, número mágico, misterioso, que nos faz pensar na busca do sistema perfeito de caracterização e nomenclatura de cores, que tanto ocupou Munsell, Helmholtz ou Goethe: quantas cores existem? Em que momento um vermelho deixa de ser vermelho para se tornar laranja? Mas isso não é tudo; juntaram-se em Goiandira do Couto ainda outras habilidades. Ao lado de seu olhar e de seu ímpeto descobridor, somou-se uma habilidade manual que lhe permite combinar suas centenas de pigmentos formando figuras, delineando sombras e explicitando contrastes. Goiandira tem a resposta: sabe exatamente quando trocar a tonalidade da areia de um potinho pelo potinho vizinho, construindo uma delicada gradação. E assim constrói suas paisagens, suas sombras, com seus dedos pescando aqui e ali pitadas de suas areias coloridas. E é isto que este livro pretende registrar e mostrar: um pouco dessa personalidade de artista caçadora, da intimidade de sua relação com sua terra e da descoberta de suas areias coloridas.

7. Biblioteca Clássica Goiana — Século XX — box 10 Vol
Ano da publicação: 2005
Edição: Instituto Centro-Brasileiro de Cultura e Equipe Elysium

Sinopse: Esta Biblioteca Clássica Goiana — Século XX traz dez obras selecionadas entre o melhor da literatura feita em Goiás. Juntas, oferecem um amplo panorama de vigor e criatividade, dos dramas e das paixões do interior brasileiro. Juntas, o microcosmo goiano retratado atinge a estatura de nação: é o próprio Brasil o protagonista dessas obras.

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