Em 7 de fevereiro, o Brasil celebra o Dia Nacional da Luta dos Povos Indígenas, uma data de grande significado para reconhecer e valorizar a diversidade cultural, assim como a importância dos povos originários na formação da identidade nacional. Essa data foi escolhida em memória de Sepé Tiaraju, líder indígena guarani que comandou os guaranis durante a Guerra Guaranítica, em 1756, e foi instituída em 2008 para dar visibilidade a questões cruciais para os povos originários, como demarcação de terras, direitos e preservação da cultura.

Em Goiás, estado que já foi lar de 12 povos indígenas, a presença e a luta dessas comunidades são elementos fundamentais para compreender a riqueza cultural e a diversidade étnica em nossa história. Atualmente, o território goiano conta com apenas três terras homologadas pela Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai): Karajá, Tapuio e Avá-Canoeiro. Cada uma dessas comunidades traz consigo uma história única, marcada por desafios, resistência e uma profunda ligação com a terra.

Em um artigo dos pesquisadores Lorrane Gomes, Sélvia Carneiro e Edevaldo Souza sobre os povos indígenas de Goiás, é possível identificar a herança dessas comunidades em nossa sociedade, refletida na cultura, alimentação, rituais, língua, entre outros elementos.

Povo Indígena Karajá de Aruanã

Os Karajás, autodenominados “Iny” (que significa “nós mesmos”), estão localizados em Aruanã, próximo à divisa com o estado do Mato Grosso. Com aproximadamente 3 mil indivíduos distribuídos em 29 aldeias nos estados de Goiás e Mato Grosso, os Karajá têm uma história intrinsecamente ligada ao Rio Araguaia. Esse rio não é apenas fonte de sustento, mas também representa a origem e a extensão de sua existência.

As transformações socioculturais, influenciadas pela interação com não indígenas, pecuária, turismo e tecnologias, desafiam a preservação das tradições. No entanto, a resiliência dos Karajá em manter suas práticas culturais e a gestão sustentável dos recursos naturais é notável.

Povo Indígena Tapuio

Os tapuios, cujo nome significa “bárbaro” na língua tupi, têm uma história marcada por nomadismo, guerreiros e uma profunda conexão com a natureza. Atualmente localizados no perímetro do antigo território, nas Terras Indígenas Carretão, em Goiás, essas comunidades enfrentam desafios para preservar suas tradições. Para os tapuios, a Escola Estadual Indígena Cacique José Borges desempenha um papel crucial no fortalecimento e reconhecimento de sua cultura, promovendo a educação como ferramenta de preservação e promoção da identidade indígena.

Povo Indígena Avá-Canoeiro

O povo Avá-Canoeiro enfrenta uma história marcada por extermínios e quase extinção étnica. Com uma língua altamente ameaçada de extinção, esses indígenas, que se autodenominam “awa”, lutam pela sobrevivência de sua cultura. O projeto da Escola Indígena Ikatoté 6, iniciado em 2016, busca fortalecer a língua e elementos culturais dos Avás-Canoeiros.

Neste Dia Nacional dos Povos Indígenas, é fundamental refletirmos sobre o papel crucial dessas comunidades na construção de nossa história e na busca por um futuro mais inclusivo e respeitoso com a pluralidade cultural que caracteriza o Brasil. A resistência dessas comunidades indígenas em Goiás destaca a importância de reconhecer e valorizar a diversidade cultural, promovendo a preservação das tradições ancestrais e o respeito à identidade dos povos originários.

Para se aprofundar no assunto, leia o artigo “Povos Karajá, Tapuio e Avá-Canoeiro: Desafios de (Re)existência”

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