Restauração do histórico Palacete Tira-Chapéu aliou preservação, acessibilidade e ações de educação patrimonial
A Elysium Sociedade Cultural foi classificada para a etapa estadual da 39ª edição do Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade, promovido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). A instituição avançou na seleção com o Programa de Restauração e Adaptação do Palacete Tira-Chapéu, realizado em Salvador (BA), uma das mais recentes iniciativas de preservação e requalificação do patrimônio histórico executadas pela instituição.
Considerado o principal prêmio nacional voltado à valorização de ações de preservação e salvaguarda do patrimônio cultural brasileiro, o Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade é realizado pelo Iphan desde 1987 para reconhecer iniciativas que se destacam pela originalidade, relevância e caráter inovador. Nesta 39ª edição, o tema é “Patrimônio Criativo: Inclusão Produtiva, Trabalho e Renda”, valorizando ações capazes de aliar preservação do patrimônio à geração de oportunidades, qualificação profissional e desenvolvimento social.
A classificação representa um importante reconhecimento ao trabalho desenvolvido pela Elysium na recuperação de um dos edifícios históricos mais emblemáticos do centro histórico de Salvador. Agora, a instituição aguarda a divulgação, no próximo dia 7 de julho, da relação das iniciativas classificadas para a etapa nacional da premiação.
Palacete Tira-Chapéu
O projeto inscrito contemplou a restauração completa dos ambientes internos, dos bens integrados, das fachadas e da cobertura do Palacete Tira-Chapéu, além da adaptação da infraestrutura do edifício para receber seu novo uso como Centro Cultural e Gastronômico. A intervenção também promoveu melhorias de acessibilidade para pessoas com deficiência e mobilidade reduzida, preservando as características arquitetônicas do imóvel tombado e ampliando sua função social.
Além de recuperar uma edificação histórica, o programa incorporou ações permanentes de educação patrimonial e difusão cultural. Durante a execução das obras, foram promovidas apresentações de música instrumental, publicação de livro-catálogo, seminário acadêmico, exposição sobre o patrimônio local, registro audiovisual do processo de restauração, oferta de vagas para estagiários e atualização contínua das informações sobre o projeto em plataforma digital.
As ações também contemplaram contrapartidas sociais voltadas à aproximação da comunidade com o patrimônio histórico. Estudantes e professores de escolas e universidades públicas participaram de visitas guiadas tanto às dependências do palacete quanto ao próprio canteiro de obras, permitindo que a população acompanhasse de perto o processo de restauração e compreendesse a importância da preservação do patrimônio cultural.
Para o engenheiro e arquiteto Wolney Unes, diretor da Elysium Sociedade Cultural, o reconhecimento reforça a visão de que preservar o patrimônio histórico também significa promover desenvolvimento social, educação e geração de oportunidades.
“Desde a concepção do projeto, buscamos fazer com que o restauro ultrapassasse a recuperação física do edifício. O Palacete Tira-Chapéu voltou a cumprir uma função social, reunindo preservação do patrimônio, acessibilidade, formação de estudantes, difusão cultural e aproximação da comunidade com sua própria história. Essa classificação demonstra que é possível transformar a conservação do patrimônio em um instrumento de inclusão, produção de conhecimento e desenvolvimento econômico”, afirma.
Mais sobre o Prêmio
Nesta edição, o prêmio reconhece iniciativas realizadas entre 2023 e 2025 que promovam a valorização do patrimônio cultural brasileiro por meio da inclusão produtiva, da qualificação para atividades criativas, da geração de trabalho e renda e da valorização dos saberes tradicionais. As ações são avaliadas por critérios como relevância cultural, dimensão educativa, diversidade, abordagem transversal e efetividade dos resultados alcançados.
