Premiação destacou o trabalho de restauração e requalificação do imóvel histórico; obras foram realizadas pela Elysium Sociedade Cultural
O Palacete Tirachapéu, uma das joias do Centro Histórico de Salvador, foi o vencedor da categoria Melhor Projeto para a Cultura no Robb Report Design Awards 2026, premiação anual promovida pela Robb Report Brasil que reconhece a excelência, a inovação e a criatividade no design nacional, abrangendo áreas como arquitetura, interiores, arte, produtos, hotelaria e gastronomia. A premiação foi realizada no final de julho, no restaurante Parigi, no Shopping Cidade Jardim, em São Paulo.
A escolha do Palacete Tirachapéu destacou o projeto de restauração e requalificação do imóvel histórico, que passou a funcionar como um espaço voltado à cultura, arte, gastronomia, educação, convivência e experiências. A restauração foi conduzida pela Elysium Sociedade Cultural, que, com quase 40 anos de história, tem entre suas mais recentes iniciativas de preservação e requalificação do patrimônio histórico a intervenção no edifício soteropolitano.
No local, a Elysium realizou a restauração completa dos ambientes internos, dos bens integrados, das fachadas e da cobertura do Palacete Tirachapéu, além da adaptação da infraestrutura do edifício para receber seu novo uso como Centro Cultural e Gastronômico. A intervenção também promoveu melhorias de acessibilidade para pessoas com deficiência e mobilidade reduzida, preservando as características arquitetônicas do imóvel tombado e ampliando sua função social.
“Este reconhecimento reforça que preservar o patrimônio histórico é também construir futuro. O Palacete demonstra que uma restauração criteriosa, aliada a um novo programa de uso, é capaz de devolver vitalidade a um bem cultural, ampliar seu papel social e conectar memória, cultura e desenvolvimento urbano”, afirma o engenheiro Wolney Unes, diretor da Elysium Sociedade Cultural e responsável técnico pelo restauro.
O arquiteto responsável pelo restauro e coordenador cultural do projeto, Marcelo Safadi, destaca que o reconhecimento também evidencia o sucesso do novo uso dado ao edifício, pensado desde o início para transformar o patrimônio em um espaço de convivência e produção cultural. “A vocação cultural do espaço começou a ser desenhada ainda durante as obras, sob a gestão da Elysium Sociedade Cultural, com a realização de ciclos de talks e debates focados em patrimônio e restauro. Desde então, o monumento ultrapassou a função de bem histórico para se transformar em um espaço vivo de trocas, abrindo suas portas para que diferentes entidades, grupos sociais e movimentos artísticos desenvolvessem suas próprias ações”, afirma.
Safadi ressalta que esse processo colocou o Palacete como um equipamento cultural de referência, conectado tanto à comunidade local quanto ao circuito nacional e internacional de arte e patrimônio. “Essa abertura gradual fortaleceu laços fundamentais, priorizando inicialmente a vocação cultural do Pelourinho para, em seguida, projetar o espaço no cenário nacional e internacional com a presença de grandes nomes das artes. Ao unir eventos próprios a uma política contínua de acolhimento às manifestações locais, o Palacete Tirachapéu reafirma seu papel estratégico na valorização do Centro Histórico e se firma como um equipamento cultural dinâmico, democrático e plural no coração da capital baiana.”
A arquiteta Jessica Marques, que também atuou no trabalho de restauro e coordenou as ações de formação de restauradores e gestores de patrimônio desenvolvidas pelo projeto, destaca que a preservação do patrimônio histórico só se completa quando o bem volta a fazer parte da vida da população. “O Palacete passou de um edifício marcado pelo abandono e pela degradação, quase invisível, mesmo diante de um dos maiores cartões-postais da cidade, para se tornar novamente um dos grandes símbolos do Centro Histórico de Salvador, resgatando sua beleza, sua relevância arquitetônica e seu protagonismo na vida urbana. Ver esse processo reconhecido é a confirmação de que o restauro, quando realizado com rigor técnico e profundo respeito à história, tem o poder de transformar não apenas edifícios, mas também a relação das pessoas com o seu patrimônio.”
Além de recuperar uma edificação histórica, o programa incorporou ações permanentes de educação patrimonial e difusão cultural. Durante a execução das obras, foram promovidas apresentações de música instrumental, publicação de livro-catálogo, seminário acadêmico, exposição sobre o patrimônio local, registro audiovisual do processo de restauração, oferta de vagas para estagiários e atualização contínua das informações sobre o projeto em plataforma digital.
Construído no início do século XX, o edifício foi projetado pelo arquiteto italiano Rossi Baptista e inaugurado em 1917. O imóvel, que já abrigou a sede da Associação dos Empregados no Comércio da Bahia, é tombado pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (Ipac).
Instalado na Rua Chile, o complexo reúne restaurantes, espaços culturais, lojas, galeria de arte e ambientes destinados a eventos, formação e convivência.
