Pesquisa sobre Ruínas de São José da Boa Morte é selecionada para apresentação em colóquio no México - Elysium Sociedade Cultural

Estudo desenvolvido pela Elysium Sociedade Cultural investiga a relação entre a história da antiga igreja de Cachoeiras de Macacu, no interior do Rio de Janeiro, e as transformações dos costumes funerários no Brasil

Uma pesquisa realizada pela Elysium Sociedade Cultural sobre as Ruínas da Igreja de São José da Boa Morte, em Cachoeiras de Macacu, no interior do Rio de Janeiro, foi selecionada e será apresentada no 10º Colóquio Internacional de História, Arquitetura, Escultura, Urbanismo e Costumes Funerários, em Pachuca de Soto, no México. O encontro, realizado pelo Instituto Nacional de Antropologia e História (INAH), será nos dias 9, 10 e 11 de setembro.

A pesquisa investiga a relação entre a trajetória da antiga igreja e as transformações das crenças e práticas funerárias no Brasil ao longo do século 19. A apresentação será realizada pela historiadora Rachel Wider, integrante da equipe da Elysium Sociedade Cultural, que atuou no processo de conservação e consolidação das ruínas, obras realizadas em parceria com a Prefeitura de Cachoeiras de Macacu e a Nova Transportadora do Sudeste (NTS), por meio de Lei de Incentivo à Cultura.

Construída a partir de 1734, a igreja foi um espaço de batismos, casamentos e sepultamentos e esteve vinculada à antiga freguesia de Santo Antônio de Sá. Ela é tombada pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural do Rio de Janeiro (Inepac) desde 1989.

A análise levou em consideração documentos históricos relacionados à igreja e à comunidade, incluindo registros de óbitos e testamentos, além dos vestígios remanescentes das ruínas catalogados durante o trabalho de conservação. “Durante os meses em que me debrucei sobre os arquivos das ruínas, percebi que a história da igreja e as causas de seu arruinamento estavam diretamente ligadas à mudança das crenças e costumes funerários durante o século 19 no Brasil”, explica Rachel Wider.

Diretor da Elysium, o engenheiro Wolney Unes destaca a curiosidade e aspectos culturais em torno da relação com os mortos. “Há culturas que os celebram, outras buscam não lembrar que existem, entre esses extremos há várias nuances. Atualmente, no Brasil, pendemos mais para o esquecimento, sempre com muita tristeza. O mito de São José, no interior fluminense, vê a morte como não apenas inevitável, o que ela de fato é, mas também digna de preparação e conforto. Dizer a alguém hoje no Brasil que deve se preparar para a própria morte soa como quase maldição”, reflete.

Por outro lado, Wolney lembra que o México tem a característica de relembrar os mortos, celebrando a completude do ciclo da vida, algo que considera como diferente de lamentar o fim da vida. “Essas duas visões distintas encontram reflexos na maneira de celebrar, no comportamento em relação aos cemitérios. Relembrar, portanto, as mudanças por que passaram o comportamento brasileiro em relação à morte num congresso no México é recuperar as diferenças culturais tanto entre os países como ao longo do tempo. Sem contar que a igreja de São José, em Cachoeiras de Macacu, é a única do gênero em toda a América Latina”, diz.

Destaque também no Brasil

Esta mesma pesquisa também foi apresentada recentemente no 17º Seminário do Museu D. João VI, do Grupo Entresséculos, vinculado à Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), realizado na Fundação Casa de Rui Barbosa. O tema desta edição foi “Acervos e coleções: questões e desafios”. Na ocasião, Rachel Wider apresentou o processo de pesquisa e catalogação dos vestígios remanescentes das ruínas.

O resultado de todo este trabalho foi reunido no livro “Ruínas de São José da Boa Morte”, produzido pela Elysium Sociedade Cultural. A publicação apresenta o levantamento histórico, o acervo fotográfico, os vestígios identificados e as soluções adotadas durante o processo de conservação e consolidação. A obra também registra as ações sociais realizadas durante os 18 meses de obras. O livro pode ser adquirido pelo pelo link: Clique aqui para adquirir ou WhatsApp da Elysium: (62) 3645-0904.

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