Um novo capítulo começa para as mulheres da comunidade de São José da Boa Morte, município de Cachoeiras de Macacu/RJ. Isso porque a Elysium Sociedade Cultural dará início, em abril, a uma série de oficinas gratuitas voltadas ao autocuidado, à educação patrimonial, ao empreendedorismo e à geração de renda. A iniciativa faz parte do projeto de consolidação das Ruínas de São José da Boa Morte e busca criar oportunidades para as moradoras da região. Marta Lopes, artesã de 51 anos, será professora na oficina de artesanato com fibra de taboa, planta aquática que ocupa espaço importante na cultura local. Além da expectativa com as aulas, ela destaca sua empolgação com a construção do Centro Comunitário, outra contrapartida social dentro da consolidação das Ruínas. A esperança é que o lugar atraia turistas e que as vendas sejam impulsionadas.
Nascida em Cachoeiras de Macacu, Marta Lopes faz artesanato com fibra de taboa desde criança. Ela conta que aos 12 anos de idade já trançava a palha da planta como hobby, uma “brincadeira mesmo”. No entanto, hoje a atividade é encarada como fonte de renda que complementa seu orçamento familiar. A partir da taboa, Marta fabrica cestos, bolsas, esteiras, sousplats e outros ornamentos. “Além da taboa, eu trabalho com palha de milho, que transformo em arranjo de flores”, acrescenta.
A artesã diz que os desafios da atividade com a fibra da taboa vai muito além da produção das peças e da técnica em si. Ela destaca que colher as palhas da taboa é a parte mais difícil. “A planta fica dentro do brejo, na água, e é muito difícil entrar lá dentro”, descreve. Marta relata que o maior encanto é quando visualiza as peças já prontas. “Acho muito gratificante, até porque amo o que faço. O melhor disso é que remete à minha infância, quando tudo começou”, lembra.
Marta reclama da desvalorização desse tipo de mão-de-obra pelo mercado e revela que os moradores da região, principalmente as mulheres, acreditam em melhorias após a construção do Centro de Convivência. “Não existe essa valorização ainda”, opina. Segundo ela, quem já sabe a técnica não tem mais interesse em fazer artesanato. “Isso porque não temos um público alvo e nem onde comercializar nossos produtos. Os jovens que ainda não sabem trabalhar com este artesanato não têm interesse em aprender por conta da dificuldade de comercialização da produção”, descreve.
Lopes acredita que a consolidação das Ruínas de São José da Boa Morte e a construção do Centro de Convivência podem impactar seu trabalho e o de outros profissionais da região. Para ela, essa nova realidade vai ser uma oportunidade valiosa. “Com o Centro de Convivência, além de termos onde expor nossos produtos, poderemos, com certeza, vender e contar com uma maior divulgação da mídia e dos próprios turistas que virão de vários locais para visitar as Ruínas de São José da Boa Morte”, conclui.
Para mais informações sobre o artesanato produzido por Marta Lopes acesse o instagram @artesanatomarta2024 .
Centro Comunitário terá ateliês e salas multiuso
Conforme Robson Almeida, diretor institucional da Elysium Sociedade Cultural, idealizadora do projeto de consolidação das Ruínas ao lado de parceiros como a Nova Transportadora do Sudeste (NTS) e Fundação Macatur, a construção do Centro Comunitário foi o elemento encontrado para viabilizar ações voltadas à comunidade e ao fortalecimento do potencial turístico da região.
“As oficinas profissionalizantes de artesanato e de sustentabilidade, além de visitas guiadas para alunos de escolas públicas, são algumas das contrapartidas sociais delimitadas em audiência pública com a população”, reforça o diretor. Os investimentos em oficinas e treinamentos devem ir além do artesanato. “No Centro Comunitário terá ateliês e salas multiuso para formações diversas, essenciais para o desenvolvimento da comunidade local”, descreve.
Oficina para mulheres
Antes mesmo do Centro Comunitário ser inaugurado, a Elysium já prepara uma série de oficinas no Centro de Múltiplo Uso, na comunidade de São José da Boa Morte , voltada exclusivamente para mulheres da região. As aulas começam em 8 de abril e têm duração de doze semanas. Com a temática ¨Cuidar do patrimônio é cuidar de nós mesmas¨, as participantes terão acesso à capacitação em saúde da mulher, estética, artesanato, gestão financeira e culinária.
A ação busca despertar o potencial de cada aluna, proporcionando bem-estar e desenvolvimento pessoal e profissional. As oficinas ocorrerão às terças, quartas e quintas-feiras, das 14h30 às 16h30. As inscrições podem ser feitas com Caroline Lopes pelo telefone (21) 99729-5237, das 8h às 12h e das 14h às 17h, no Centro de Múltiplo Uso.
Texto: Talita Prudente
Fotos: Arquivo Pessoal