Ruínas de São José da Boa Morte recebem novas visitas acadêmicas com mais de 50 estudantes de Arquitetura - Elysium Sociedade Cultural

Conduzidas pela equipe da Elysium Sociedade Cultural, atividades reuniram alunos da PUC-Rio e da UFF para conhecer a história da antiga igreja e as ações de consolidação do patrimônio histórico

As paredes centenárias das Ruínas de São José da Boa Morte voltaram a servir de sala de aula a céu aberto nesta semana. Mais de 50 universitários participaram de visitas acadêmicas ao patrimônio histórico localizado em Cachoeiras de Macacu (RJ), onde conheceram a trajetória da antiga igreja e os desafios das obras de consolidação de um dos mais importantes bens arquitetônicos da região.

Nesta quinta-feira (11/6), alunos do curso de Arquitetura da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) visitaram as ruínas e puderam conhecer um pouco sobre as curiosidades da antiga igreja, construída a partir de 1734. O programa de visitação integra o projeto de consolidação das ruínas e implantação de um novo uso para o espaço, conduzido pela Elysium Sociedade Cultural, em parceria com a Prefeitura de Cachoeiras de Macacu e a Nova Transportadora do Sudeste (NTS), por meio de Lei de Incentivo à Cultura.

Já no dia 8 de junho, estudantes da disciplina de Canteiro de Conservação, da Escola de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal Fluminense (UFF), também estiveram no local para acompanhar as ações de consolidação atualmente em fase final, com conclusão prevista para julho. As atividades foram conduzidas pela historiadora Rachel Wider, especialista em patrimônio histórico, e pela arquiteta Carolina González, ambas integrantes da equipe da Elysium.

Durante os encontros, os estudantes tiveram a oportunidade de compreender os conceitos que orientam as obras realizadas no monumento. Segundo a historiadora Rachel Wider, as intervenções em edificações desse tipo exigem cuidados específicos e o cumprimento rigoroso de normas de preservação. “Trabalhar em uma ruína é um desafio muito particular, porque existe uma série de critérios técnicos que precisam ser respeitados. É importante deixar claro que não estamos falando de restauro, mas de consolidação. A igreja não será refeita. Nosso objetivo é preservar a ruína e garantir sua estabilidade”, explica.

A especialista destaca que o valor histórico e patrimonial do conjunto está justamente em sua condição atual, resultado dos séculos de existência e das transformações vividas pela edificação ao longo do tempo. “Trata-se da ruína de uma antiga igreja, que possui história e valor próprios. Estamos respeitando esse patrimônio e realizando intervenções capazes de interromper o processo de degradação, assegurando sua permanência para as próximas gerações”, afirma. “É uma ruína magnífica. Basta observá-la e conhecer um pouco de suas técnicas construtivas para compreender sua importância. As marcas do tempo fazem parte desse patrimônio e não podem ser apagadas. Elas contam a história da própria edificação”, finaliza.

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