Restauro da Tribuna dos Sócios do Jockey Club de São Paulo, 2020

O conjunto de edifícios do Jockey Club de São Paulo na cidade Jardim é um grande e importante monumento arquitetônico para a cidade e o Estado de São Paulo. Sua origem Art Déco, projeto de Elisário Bahiana, posteriormente ajustado para um gosto mais neoclássico pelo francês Henri Sajous, na década de 1950, pode ainda ser observada em suas linhas e ornamentação.

De fato, num país que apenas começa a redescobrir o estilo Art Déco, tão presente em todo o Brasil, trata-se do maior conjunto brasileiro de arquitetura art déco. Nesse processo de redescoberta, em que uns poucos conjuntos já começam a receber a atenção dos órgãos de patrimônio – a exemplo do conjunto de Goiânia e do Elevador Lacerda de Salvador –, a cidade São Paulo com sua enorme concentração de edifícios Art Déco não pode se furtar a participar deste processo de valorização do Art Déco brasileiro.

O projeto para a restauração do edifício da Tribuna dos Sócios pretende assegurar a manutenção das referências originais, sanar patologias e valorizar elementos construtivos tradicionais. 

É de amplo consenso que a preservação do edifício histórico está correlacionada à manutenção do uso, criando condições para o pleno desempenho de suas funções de modo a assegurar sua sustentabilidade.

Este projeto de restauração se apresenta como um primeiro passo à recuperação plena do Hipódromo Paulistano, criando condições para o fomento das atividades que atendam às demandas da instituição.

 

Princípios de Projeto

  1. Restauração e conservação das fachadas e coberturas e de todos os seus elementos construtivos.
  2. Restauração dos ambientes principais do edifício circunscrito no térreo – salão de apostas, bar, barbearia, sanitários e escadas – e primeiro pavimento – restaurante, salão de festas, sanitários, bar, cozinhas, circulação e passarela, camarotes e arquibancadas – almejando valorizar os elementos construtivos originais.
  3. Os elementos artísticos de autoria Brecheret e Dunand integrados aos ambientes do primeiro pavimento obedecerão ao princípio do restauro conservativo, devendo as intervenções quando necessárias serem pontuais e reversíveis.
  4. Os elementos novos resultantes da ampliação do programa de necessidades, inerente ao segundo pavimento, serão tratados como tal. Para isso as obras obedecerão ao princípio da reversibilidade, podendo ser eliminados posteriormente sem causar danos materiais ao bem cultural. Será adotada linguagem arquitetônica abertamente contemporânea que aponte tratar-se de uma intervenção atual, em harmonia com a estrutura preexistente.